Termovisor mede variação de temperatura nos brothers. Causa do estresse depende da interpretação do telespectador.
Uma das novidades mais polêmicas do reality show da Rede Globo Big Brother Brasil 10, a imagem infravermelho do confessionário, já foi muito comentada pelo público, crítica televisiva e até ex-participantes. Mas muitas dessas pessoas não entenderam realmente o que a câmera estava mostrando.
Os termovisores, ou câmeras infravermelho, são na verdade equipamentos multiuso mas com uma função bem específica: captar radiação infravermelho. Essa radiação é emitida na forma de luz por qualquer corpo acima do zero absoluto, ou -273,15 ºC em graus celsius. Como esse “zero” é considerado inatingível pelos cientistas, podemos dizer com certeza que tudo emite a tal luz infravermelho.
A quantidade de energia infravermelha que um corpo emite é proporcional a sua temperatura, ou seja, maior temperatura, mais energia infravermelho o corpo emite. Da mesma forma, quanto menor a temperatura, menos energia infravermelho. Desta forma, a câmera, medindo potência dessa luminosidade invisível, pode nos informar a temperatura utilizando alguns parâmetros que inserimos nela como temperatura ambiente, distância, temperatura refletida e emissividade.
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| FLIR A320: A câmera usada do BBB |
Primeiro a física
A essa altura você já deve estar se perguntando “o que esse papo nerd tem a ver com quem manda quem pro paredão?”. A verdade é que a câmera infravermelho é apenas uma parte do processo, a parte “ciência exata” da coisa.
![]() Repare na diferença de temperatura entre bochechas, nariz e cabelo | Isso porque, como já dissemos, a câmera apenas mostra a que temperatura o corpo está, sem distinguir se o corpo em questão é a poltrona, a parede do confessionário, o brother mais falso ou a mulher mais bonita da casa. Por isso, para interpretar esses dados temos que recorrer primeiro às ciências biológicas. Agora o físico O corpo humano é uma máquina em perfeita sincronia. Ou seja, qualquer estímulo externo costuma repercutir lá dentro também, e isso as vezes é algo que foge do nosso controle. São as chamads reações involuntárias. Comeu uma picanha muito salgada no churrasco de domingo? O seu cérebro te colocará morrendo de sede para reidratar o corpo. Um vírus entrou na sua corrente sanguínea? O corpo se aquece, com febre, tentando “assar” o invasor. |
O estresse é um desses estímulos que decorrem em alterações do corpo humano. Normalmente um indivíduo submetido a situações desconfortáveis sofre várias reações bioquímicas no seu corpo, entre elas, o fechamento dos vasos sangüíneos, o aumento da freqüência cardíaca, da pressão arterial, da freqüência respiratória e do tônus muscular, como forma de lidar com esse estresse repentino.
É justamente por isso que dizemos que um sujeito está “tenso”. Com tudo isso acontecendo, os músculos rijos, o coração acelerado, a pressão do sangue subindo e a respiração mais ofegante, é natural que a temperatura do corpo aumente também.
Uma pitada de linguística
É na cabeça, um dos primeiros locais a receber o renovado sangue arterial, que as alterações da temperatura se manifestam com mais clareza. Daí, se conseguirmos medir essas alterações de calor na face, sabemos se um indivíduo está sob estresse ou não.
Esse tipo de reação do indivíduo é chamada pelos especialistas como linguagem corporal. A linguagem corporal vai desde os gestos voluntários das mãos e as expressões faciais até a movimentos da íris e o aquecimento do corpo. Somando tudo isso, especialistas em linguagem corporal conseguem sentir, por exemplo, se uma pessoa está mentindo ou não. Contudo o diagnóstico não é preciso, pois vários fatores diferentes podem estressar um sujeito. Inclusive um teste de estresse. Mas uma coisa que os especialistas não têm são câmeras monitorando os indivíduos 24 horas e microfones captando cada palavra dele.
E muitos se perguntam "E se o brother estiver com febre?". Para isso calculamos a chamada "temperatura limiar de estresse" de cada participante. Ela é calculada levando-se em conta seu metabolismo (peso, altura e idade) e é configurada on-line na câmera sempre que um participante é chamado ao confessionário. A câmera é ligada a um computador com um software que analisa e quantifica a variação da temperatura. Daí esses dados são inseridos na transmissão, junto com a imagem térmica e um indicador de estresse. Isso garante uma maior precisão ao resultado.
Então o brother está mentindo ou não?
Essa é, simplesmente, uma pergunta que cabe ao espectador responder. A imagem térmica é diferente de um “detector de mentiras”, que pode errar por ser um máquina mais exata, sem meio termo. O interessante da visão termográfica no BBB é dar ao espectador a chance de analisar se o participante está estressado e os motivos para esse estresse. Se está tenso porque mentiu, brigou com a namorada no sofá ou queria ir ao banheiro durante o papo com o Bial, fica a cargo do espectador decidir.
É esse tipo de abertura à interpretação que deixa o programa mais emocionante. Por isso, a imagem térmica no programa não é uma ferramenta fechada, exata, de “sim” ou “não”. Por fornecer apenas os dados e não o resultado, ela exige a participação humana e uma análise do espectador. E é exatamente por essa questão de humanidade e suas atitudes imprevisíveis que o programa faz sucesso.



