De trambolhos top secret da Guerra Fria a termovisores compactos e acessíveis
![]() Câmera infravermelho em caminhão, da época da Guerra Fria. |
A Flir i5 é uma das melhores câmeras termográficas portáteis comerciais do mercado em termos de custo-benefício. Ela é extremamente fácil de usar, bastando apontar para o alvo e fazer a medição. Com seu tamanho de 22cm e pesando apenas 340g, a pequena i5, na verdade, é um grande salto qualitativo na tecnologia de infravermelho, que nem sempre foi assim... No fim da década de 1950, já existiam câmeras termográficas. Porém, eram classificadas como tecnologia top secret, ou seja, do governo americano e usadas por espiões na Guerra Fria. Mas não pense nas pequenas bugigangas de James Bond ou o famoso sapatofone de Maxwell Smart, o Agente 86. | |
Naquela época, os termovisores eram equipamento grandes e pesados, sendo que, alguns necessitavam até de um caminhão (!) para transportá-los. Algo totalmente inimaginável no nosso mundo nanométrico de hoje. O experiente termografista Gary Orlove, editor do boletim Inframation do ITC, brincou com essa pequena revolução na "Quando eu comecei na termografia, 34 anos atrás, câmeras assim eram vistas só em seriados de ficção científica. Mas veja por exemplo os comunicadores da série original de Jornada nas Estrelas. Meus filhos têm celulares com mais recursos do que o capitão Kirk jamais teve! Hoje temos modelos simples de termovisores por US$ 2.000, com menos de meio quilo, com medição, cores e armazenamento digitais!" | ||
| Só na década de 1970 a tecnologia permitiu o surgimento de termovisores menores, que, convenhamos, ainda eram bastante desajeitados e os termografistas sofriam com algumas limitações em termos de medição. Mas nada comparado a suportar no ombro o peso da grande bateria e dos vários fios de alimentação e vídeo. Foi nessa época que a sueca Agema Infrared Systems, hoje parte da Flir Systems, conseguiu grandes progressos técnicos e deu à termografia a base para o processo de popularização das câmeras termográficas. Um desses marcos, já no recente ano de 1997, foi a Agema 570, primeiro termovisor que não necessitava do caro processo de resfriamento. Com isso a Agema reduziu os custos de produção e operação, uma vez que a refrigeração com criogênio era cara e consumia muita energia. A partir daí foi só uma questão de tempo para embutir nos termovisores a tecnologia digital, tornando-os compatíveis com computadores através de cabos USB, cartões de memória SD, além da codificação de imagens em JPEG, formato suportado pela maioria dos PCs domésticos. Por isso a i5 é parte dessa pequena revolução no campo da termografia, que não mais é restrita aos espiões do governo. Ao contrário, cada dia mais popular. ganhando inúmeras aplicações práticas no dia a dia em qualquer ramo de atividade. | |||


Termovisor da década de 1970